“Agora vejo – este mundo é transitório.” (Karna, no Mahabharata)

Jeanne Calment

Muitas pessoas realmente acreditam que seremos imortais nas próximas décadas:  nem precisaremos de um corpo ou de um cérebro para existir, já que nossas consciências “viverão” em redes de computadores. A tal “singularidade” está à porta.

Há a criônica, o processo de preservar — em baixa temperatura — uma pessoa que não pode mais ser mantida viva pela medicina atual, na expectativa de que a cura e a reanimação sejam possíveis no futuro.

Há as ideias de Ray Kurzweil, ja comentadas aqui. Ele acha que conseguiremos interromper ou retardar a morte no futuro. Segundo o futurista, seremos capazes de enganar a morte uma década por vez, nos submetendo a tratamentos para curar doenças, regenerar tecidos e aumentar a eficácia de nossos sentidos.

Outros, como Alex Zhavoronkov, apostam que a imortalidade poderá ser alcançada graças à inteligência artificial.

Ou, poderemos ter um upload mental: no futuro nem precisaremos de um corpo ou de um cérebro para existir, já que nossas consciências viverão em redes de computadores. Ideia de Dmitry Itskov.

Segundo Michael Shermer, não faltam iniciativas para nos tornar imortais. Mas ninguém ainda descobriu como sobreviver além dos 125 anos.

Para Aubrey de Grey, a primeira pessoa que vai chegar aos 150 anos já nasceu e está próximo o dia em que nós, humanos, viveremos 1.000 anos. Acredita que o envelhecimento é uma doença que pode ser vencida pela ciência.

Bertrand Russell não era tão otimista: “Breve e impotente é a vida do homem; sobre ele e toda a sua raça recai, impiedosa e sombria, a lenta e certa fatalidade.

Doravante, é somente na estrutura dessas verdades, somente no firme alicerce do obstinado desespero, que pode a morada da alma ser seguramente construída.”

“Segurança no desespero”: ato de fé; engenho das religiões.

Pelo que se sabe, a pessoa que mais viveu foi a francesa Jeanne Calment (1875-1997); 122 anos! Deixemos de lado a história de Matusalém, com seus hipotéticos 969 anos.

O fato é que esta história de morrer não nos agrada. Nós odiamos a morte; chegamos até a prometer amor eterno.

É uma sacanagem, parece-nos, o fato inelutável de que viemos do nada e ao nada voltaremos. Achamos que merecemos mais; a Vida Eterna, talvez. Embora não saibamos o que fazer com isso. Às vezes nem sabemos o que fazer com nossa vida efêmera!

Para nos livrar dessa ‘falta de sentido’, criamos crenças na imortalidade – da alma. Criamos uma “alma imortal”! A crença na vida após a morte vivida por uma alma imortal, é um princípio fundamental de muitas religiões como hinduísmo, cristianismo, espiritismo, zoroastrismo, islamismo, judaísmo – entre outras.

“Como indivíduos, somos um centelha que se acende e se apaga no turbilhão do tempo como um esvanecimento estarrecedor … chegamos e partimos como ondas numa praia … ” (Carlos Eire)

“Há na terra uma única ideia superior: a da imortalidade da alma humana, pois todas as outras ideias de que o homem pode viver, nascem dessa ideia. (Dostoiévski)

O fato é que cerca de 150 mil pessoas morrem todos os dias no planeta – sem pandemias. O anjo da morte é incansável.

“ Se a existência de Deus, se a imortalidade da alma não fossem senão sonhos, ainda assim seriam a mais bela de todas as concepções do espírito humano.” (Robespierre)

Para pessoas “práticas”, a morte é uma ‘constante’; não uma ‘variável’: “A morte é o agente de mudança da vida” (Steve Jobs)

Alguém consegue imaginar o que seja “eternidade”? Alguém tem ideia do que seja “infinito”? Não é melhor ficar quieto?

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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