A glória e o esquecimento

(Thomas Paine, 1737-1809)

Thomas Paine: no final da Revolução Americana, o escritor de panfletos radical era um herói nacional, muito conhecido pela autoria de “Senso Comum”, que convenceu muitos americanos a se juntarem à luta contra os britânicos.

Com o tempo, no entanto, Paine tornou-se um pária social, principalmente por suas visões controversas sobre a religião organizada e a autoridade da Bíblia.

Morreu na pobreza em 8 de junho de 1809; apenas seis pessoas compareceram ao enterro em sua fazenda em New Rochelle, Nova York.

Suas ideias sobre sociedade e governo permanecem atuais. Vejam este trecho:

“… o governo, mesmo em seu melhor estado, é apenas um mal necessário. No seu pior estado, é um mal intolerável, pois quando sofremos ou ficamos expostos, por causa de um governo, às mesmas desgraças que poderíamos esperar em um país sem governo, nossa calamidade pesa ainda mais ao considerarmos que somos nós que fornecemos os meios pelos quais sofremos.”

Seu túmulo isolado foi praticamente esquecido até que um antigo inimigo, e mais tarde admirador, William Cobbett, desenterrou seu esqueleto dez anos após sua morte.

Cobbett ficou horrorizado quando visitou o túmulo negligenciado de Paine em 1819 e sentiu profundamente que o homem não havia recebido postumamente o que lhe era devido. Decidiu que, como a América havia virado as costas ao seu herói revolucionário, ele o enterraria na Inglaterra.

Logo após sua chegada à Inglaterra, Cobbett propôs construir um belo mausoléu para Paine e disse que levantaria os fundos por meio de subscrição pública. Mas, a ideia era tão impopular, que ele nunca fez nenhum esforço para arrecadar dinheiro.

Resultado: Cobbett morreu e os ossos de Paine ainda não haviam sido enterrados.

“Os ossos foram passados ​​para um diarista, depois para a secretária de Cobbett, depois para um negociante de móveis e depois, para o esquecimento.

Segundo a lenda, alguns dos ossos foram perdidos ou destruídos, transformados em botões ou vendidos individualmente. Ao longo dos anos, várias pessoas alegaram possuir partes dos ossos – uma costela na França, uma mandíbula na Inglaterra, um crânio na Austrália.

De Paine sobraram um tronco cerebral mumificado e uma mecha de seu cabelo, que foram enterrados em um local secreto.” (Heather Thomas)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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