108 anos após sua morte, a abolicionista negra Harriet Tubman poderá passar a ilustrar a nota de US$ 20

Retrato de Tubman
(Harriet Ross Tubman)

O retrato de Harriet Tubman (1822-1913) substituirá o de Andrew Jackson, o sétimo presidente americano (1829-1837), que estampa a nota de US$ 20 desde 1928.

Andrew Jackson era escravagista e teve papel importante na remoção violenta de indígenas de territórios no sul do país. Trump é seu admirador.

Obama tentou fazer esta mudança; não conseguiu.

Não se conhece a data de nascimento de Harriet; estima-se que tenha nascido no início de 1822. Tinha quatro irmãos e quatro irmãs e começou a servir como escrava doméstica aos cinco anos de idade. Na adolescência, passou a trabalhar como escrava na lavoura.

Mas, tinha uma rebeldia natural: “Sinais precoces de sua resistência à escravidão e seus abusos foram demonstrados aos 12 anos de idade, quando interveio para impedir que seu mestre espancasse um homem escravizado que havia tentado escapar. Ela foi atingida na cabeça com um peso de quase um quilo, o que a deixou com dores de cabeça severas e narcolepsia pelo resto da vida”. (Debra Michals)

Seu nome está associado à Underground Railroad, uma rede secreta de rotas e esconderijos para dar apoio àqueles que escapavam da escravidão fugindo para o norte do país ou para o Canadá – embora não tenha sido ela quem a criou.

Esta rede de fuga já existia desde o fim do século 18, e foi organizada por abolicionistas negros e brancos. Nela, os fugitivos eram guiados por “condutores”. No trajeto, escondiam-se em igrejas, escolas e casas de apoiadores. Tinha várias rotas diferentes em diversos Estados.

A propósito, há um livro muito interessante sobre o assunto: “The Underground Railroad – Os Caminhos para a Liberdade”, de Colson Whitehead – romance vencedor do Pulitzer em 2017.

Harriet fugiu pela primeira vez, em 1849, aos 27 anos de idade, com dois de seus irmãos. Seu marido se recusou a ir com eles. Foram capturados e trazidos para sua ‘senhora’, após esta oferecer recompensas pela captura.

Logo escapou novamente, desta vez sozinha, e conseguiu chegar à cidade da Filadélfia, onde a escravidão não era permitida. Lá, começou a trabalhar como doméstica e cozinheira.

Não se limitou à sua liberdade.  Voltou a Maryland para resgatar sua família. E, nos 11 anos seguintes resgatou muitos outros escravos. Passou a ser conhecida como “Moisés” dos escravos.

Com o início da Guerra Civil, alistou-se no exército da União. Foi, no começo, cozinheira e enfermeira; depois tornou-se batedora armada e espiã. Foi, ainda, a primeira mulher a liderar uma expedição armada.

Uma história voltada à liberdade.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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