“É pirueta pra cavar o ganha-pão Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro”

Trabalho informal, o que é? Características e diferenças entre formal

A situação neste ano, como já falei noutro post, não será agradável. Milhões entrarão na faixa de pobreza.

Muitos dos que deixaram de receber o auxílio emergencial, muitos, voltarão à pobreza extrema. Bom, isso não interessa.

“Comprei cama, armário, sapato… tudo à vista. Agora faço fila num refeitório popular em São Luis para garantir a refeição do dia.” (Sandra Leonora Gusmão)

A Sandra, mãe solteira, tem 36 anos e ganha a vida como doméstica diarista. Cuida de idosos, faz faxina ou passa roupa em dias avulsos, por 150 reais. Mas, não tem sido chamadas pelos clientes, por medo da Covid-19.

Há milhões de situações como a da Sandra. Os que têm condições de se informar não sabem. Este assunto é chato, deprimente.

Cerca de 14 milhões de famílias brasileiras recebem o Bolsa Família. Eles gostam de receber este auxílio (como alguns argumentam) ou prefeririam trabalhar e não depender do Estado?

No Sul-Sudeste, por anos, se divulgou a ideia de que os nordestinos eram pobres porque não ‘gostavam’ de trabalhar! Que absurdo: os nordestinos são orgulhosos e trabalhadores: edificaram São Paulo, Rio e Brasília. Ganharam as favelas.

Preguiça e malandragem vê-se no meio burocrático.

Sou nordestino e testemunho que o trabalho é atávico aqui; o nos falta são apoio político (não ajuda), educação e respeito. Vejam a letra de Zé Dantas para a música de Luiz Gonzaga.

O Nordeste é altivo. Não precisa de ‘ajuda’, só de isonomia e da distribuição de recursos equanimemente. Os nordestinos não são burros. Ignorá-los é como amputar um membro que julgamos dispensável.

(https://youtu.be/gZ1LuWmuBeo)

Vozes da Seca (Luiz Gonzaga/ Zé Dantas)

Seu doutor, os nordestinos têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulistas nesta seca do sertão
Mas doutor, uma esmola a um homem que é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão

É por isso que pedimos proteção a vosmicê
Homem, por nós, escolhido, para as rédias do poder
Pois doutor, dos vinte estados, temos oito sem chover
Veja bem, mais da metade do Brasil tá sem comer

Dê serviço a nosso povo, encha os rios e barragens
Dê comida a preço bom, não esqueça a açudagem
Livre assim, nós da esmola, que no fim desta estiagem
Lhe pagamo inté os juros sem gastar nossa coragem

Se o doutor fizer assim, salva o povo do sertão
Quando um dia a chuva vim, que riqueza pra nação
E nunca mais nós pensa em seca, vai dá tudo neste chão
Como vê, nosso destino, mercer tem na vossa mão

Seu doutor, os nordestinos têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulistas nesta seca do sertão
Mas doutor, uma esmola a um homem que é são Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão

Meu caro amigo (Chico Buarque)

“Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra ‘tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra ‘tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra ‘tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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