Fé e moral

Qual a diferença entre ética e moral? - netmundi.org

Em João 15-17, lê-se: “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros.”

Ou, Gálatas 5-14: “Pois toda a Lei está contida numa só palavra: Amarás a teu próximo como a ti mesmo.”

Há outros textos que reforçam esse princípio de tolerância e respeito ao próximo.

Bento XVI, anos atrás, lamentou-se sobre o fato de que a Igreja tem cada vez mais dificuldade para dizer em que acredita. Em breve, declarou, já não será possível, por exemplo, afirmar que a homossexualidade seja um distúrbio na existência humana, como ensina a Igreja.

Isso porque a Igreja ‘legislou’ sobre temas morais sem respeitar o mandamento de reconhecer as diferenças e amar o outro apesar delas. Ao contrário, assumindo papéis políticos, acentuou-as, alimentando ódio, desprezo, intolerância e sofrimento.

Entre as heresias estava professar outra ‘fé’, que não a Católica ou defender sutilezas canônicas. Os costumes – objeto da moral – também foram normatizados sob inspiração clerical.

“A atitude da Igreja reduziu significativamente a felicidade humana.

Sobre a natureza da moralidade, existe uma espécie de estrutura da existência humana capaz de servir de ponto de referência moral, ou nós, seres humanos, não temos obrigações morais, além da obrigação de nos ajudar reciprocamente a satisfazer nossos desejos, atingindo assim a maior felicidade possível?

Não seria essa última a nossa única obrigação moral?” (Richard Rorty)

Este é um pensamento utilitarista que reforça o ensinamento básico de “Amar a teu próximo como a ti mesmo.

Sua prática requer um esforço heroico e altruísta, para poucos.

Os ideais morais nascem na nossa imaginação, assim como a poesia e a religião (em sentido lato) por exemplo.

Para George Santayana, nem a poesia nem a religião deviam ser consideradas instrumentos para nos falar de algo que já é real.

Da confusão entre um ideal e o poder nasce a superstição.

Sempre podemos largar um ideal porque passamos a apreciar outro. Aquele ideal não pode ser eternizado. O mesmo vale para os ideais morais. Eles mudam – não necessariamente evoluem.

Se alguém, ateu, converter-se a alguma forma religiosa ou espiritualizada ou, ao contrário, um religioso tornar-se ateu, é inútil buscar uma demonstração de que estão na direção certa. Melhor respeitar.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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