Nosso Narcisinho

Narciso, Caravaggio | Historia das Artes
(Narciso, tela de Caravaggio)

“O presidente Jair Bolsonaro cumprimentou Joe Biden pela posse como novo presidente dos Estados Unidos em publicação postada nas redes sociais na tarde desta quarta-feira, 20 de janeiro.” (Fonte: Agência Brasil)

Após a posse de Biden: esperava até o último minuto a reviravolta de Trump, um golpe, como sonha – a partir de suas manifestações – no Brasil. Deve ter se decepcionado com seu totem. O narciso americano até tentou, mas definhou. Nosso presidente se intitula mito – Narciso.

Vejam a cara de pau desse presidente, pragmático pós-última hora (grifei algumas expressões, mentiras descaradas, conforme receita de Trump:

“Cumprimento Joe Biden como 46º Presidente dos EUA. A relação Brasil e Estados Unidos é longa, sólida e baseada em valores elevados, como a ‘defesa da democracia‘ e das liberdades individuais. Sigo empenhado e pronto para trabalhar pela prosperidade de nossas nações e o bem-estar de nossos cidadãos.

É minha convicção que, juntos, temos todas as condições para seguir aprofundando nossos vínculos e agenda de trabalho, em favor da prosperidade e do bem-estar de nossas nações.

Ao desejar a vossa excelência pleno êxito no exercício de seu mandato, pelo que aceite, senhor presidente, os votos de minha ‘mais alta estima e admiração‘.

No campo econômico, o Brasil, assim como empresários de nossos países, tem interesse em um abrangente acordo de livre comércio, que gere mais empregos e investimentos e aumente a competitividade global de nossas empresas. Já temos como base os recentes protocolos de facilitação de comércio, boas práticas regulatórias e combate à corrupção, que certamente contribuirão para a recuperação de nossas economias no contexto pós-pandemia.

Estamos prontos, ademais, a continuar nossa parceria ‘em prol do desenvolvimento sustentável e da proteção do meio ambiente’, em especial a Amazônia, com base em nosso Diálogo Ambiental, recém-inaugurado.

Noto, a propósito, que o Brasil demonstrou seu compromisso com o Acordo de Paris com a apresentação de suas ‘novas metas nacionais‘. Para o êxito do combate à mudança do clima, será fundamental aprofundar o diálogo na área energética. (…)”

O subalterno do ex-presidente americano, nosso ministro da deterioração das Relações Exteriores, também se manifestou – certamente, após ouvir Olavo de Carvalho: “Esperamos, agora com o Presidente Biden, aprofundar essa parceria, diante dos novos desafios que se deparam aos nossos ideais comuns.”

Ideais comuns? Quais?

Os americanos não são trouxas como supõe o presidente. Seus seguidores serão induzidos a verem aí uma jogada de estadista. Engolem qualquer coisa. Trouxa é o presidente, que adulou seu ídolo e nada obteve de reciprocidade.

Esse presidente falar em “defesa da democracia” é risível. Dias antes disse que “quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”. A Constituição não diz isso.

Falar que ele tem a “mais alta estima e admiração” por Biden é chamá-lo de parvo. Até o último minuto ele repetia que a eleição havia sido fraudada. Esse é o argumento que utilizará, na última hora, para tentar um golpe.

Jair Bolsonaro é cumprimentado por Donald Trump, em Nova York -  Alan Santos - 24.set.18/PR

Dizer que está comprometido com a “proteção do meio ambiente” é um insulto aos que acompanham a devastação orquestrada dos nossos biomas. Um crime só inferior ao mostrado pela vida humana, no trato da pandemia.

Finalmente, com relação ao Acordo de Paris, afirmar que reforça seu compromisso, com “novas metas nacionais” é contar com a ignorância e desinformação dos seus.

“Se o presidente brasileiro insistir na sua política ambiental que pouco protege o meio ambiente e na condução ideológica de seu ministério das Relações Exteriores, corre o risco de fazer o país perder dinheiro e ser cada vez mais um pária na arena internacional. (…) todos entendem que uma sinalização de que a política brasileira estaria além da relação Trump-Bolsonaro seria demitindo os ministros Ricardo Salles e Ernesto Araújo.” (Afonso Benites)

Ele não vai demitir os queridinhos. Então …

“Procure o inimigo!” Esse era o bordão de Jânio Quadros. Na época, o alvo era sempre os EUA. Agora, é a China.

Para os que não assumem suas responsabilidades, por incapacidade de resolvê-las, um inimigo é sempre útil.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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