
“Os Conselheiros de Estado, antes de tomarem posse, prestarão juramento nas mãos do Imperador de ‘manter a Religião Católica Apostólica Romana’, observar a Constituição e às Leis, ser fiéis ao Imperador, aconselhá-lo segundo suas consciências, atendendo somente ao bem da Nação.” (artigo 141 da Constituição Política do Império do Brasil, de 1824)
Manter a religião Católica precedia a observância da Constituição e Leis.
Luiz Pereira Barreto (1840-1923), nasceu em Resende, RJ. Foi médico, cirurgião, filósofo, político, cientista, agricultor e jornalista.
Trouxe o Positivismo para o país; acreditava que a ciência seria a única força capaz de impulsionar a nação para o futuro. Atacava o Império dos bacharéis e buscava estabelecer a organização da sociedade civil, com acento na educação e não na política.
Com base no Positivismo, propõe a reforma espiritual como solução e a única forma de alcançá-la seria por meio da educação. Seria um projeto civilizatório.
Na medicina, introduziu métodos de anestesia, novas técnicas cirúrgicas e a antissepsia cirúrgica. Na agricultura, ‘descobriu’ o guaraná, foi pioneiro na cultura do café Bourbon e de uvas para a produção de vinho, entre outras iniciativas.
Criticou duramente as oligarquias brasileiras por não abrir mão de alguns direitos em favor do desenvolvimento do país.
Também criticou a negação – então – da cidadania aos colonos europeus que vinham para o Brasil; era uma forma de escravidão disfarçada, dizia. Para os políticos, “o estrangeiro que vem ao Brasil só vem com o fim de ganhar dinheiro e mais nada!”. Nos EUA, a visão era bem diferente.
Sobre o impedimento de não católicos exercerem cargos políticos, afirmou, em 1880:
“Evidentemente, os senhores conselheiros de Estado são mais teólogos do que patriotas; e, sob ameaça das penas ideais do inferno, sacrificam sem hesitar os interesses mais vitais do país. Para eles, a questão capital é a vida futura e tal qual a entende a Igreja romana. Preocupados com a ideia da salvação da vida de além-túmulo, parece-lhes inteiramente secundário o papel da vida terrestre.”
O catolicismo era, para o espírito, uma outra forma de escravidão, repetia.