Um episódio de falso moralismo

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(Revista Vida Doméstica, junho de 1952)

O machismo se apóia numa falsa moralidade, hipócrita, para manter sua dominação sobre as mulheres. Desde cedo aprendi a desconfiar dos ‘moralistas’; normalmente escondem comportamentos que o contradizem – alguns, absurdos. Tenho vários casos próximos.

O trecho abaixo é do livro “Os Histéricos – uma novela”, de Teixeira Coelho e Jean-Claude Bernardet: uma mulher que se empenha em agradar e é humilhada.

Esta, pelo menos, se posiciona. Não se torna ‘mulher de malandro’, aquela que se acostuma a apanhar – e sente falta disso. Como ocorre, na política, com certas correntes que se lobotomizaram.

“(…) Mamãe não diz nada, nunca disse nada que contrariasse papai. Descubro agora que nunca soube o que ela pensou na vida sobre seja lá o que for. Sempre concordou com todo mundo, mesmo se cada um estivesse dizendo uma coisa diferente. (…)

Eu não sei o que deu errado. Acho que nunca vou entender os homens. Meus melhores amigos são homens, mas nunca vou entender os homens que forem mais que amigos, os homens com quem a gente tem um caso, enfim.

Me lembro de um dia logo depois de nosso casamento, não fazia nem um ano. Era aniversário do Renato, então eu fui e comprei calcinha, sutiã, liga, meia-arrastão, tudo vermelho com rendinhas, sexy como manda o figurino.

Quando ele estava entrando em casa, corri para a cama, me deitei e fiz uma pose e tal, você sabe.

Ele entrou no quarto e perguntou o que era aquilo. Disse que era um presente de aniversário e que o presente era eu.

Ele ficou uma fera, disse que não sabia que tinha casado com uma puta, que o que eu estava pensando, fez um escândalo, que se eu estava querendo dar que saísse por aí. e naquela noite, nada.

Fiquei sem entender nada, não sabia onde enfiar a cara de vergonha. Passei anos achando que eu tinha dado uma tremenda mancada, que a culpa era mesmo minha.

Não quero que o Renato ponha as mãos em mim nunca mais. (…)

Estou no fim de minha vida útil como mulher, daqui a pouco só sirvo para tia. Queria que alguém me desse um abraço forte, muito forte. (…)”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Um comentário em “Um episódio de falso moralismo

  1. Que horror!! Infelizmente há milhares de casos assim , mulheres criadas para agradar os seus homens e não a si mesma em primeiro lugar, ainda bem que fui criada por um homem, que me ensinou a me posicionar perante um homem. Excelente reflexão Dorgival.

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