“A inquietação e a futilidade dividem nossos dias.” (Paul Valéry)

2020, o ano que não acabou, pelo menos para Bolsonaro e Guedes - 03/01/2021  - UOL Economia

Esperanças em 2021? Não as vejo.

No ano passado, ainda acreditava que a pasmaceira governamental fosse falta de adaptação. Hoje, percebo que o objetivo é destruir as pontes que poderiam nos levar a um futuro melhor. O presente é sombrio, mas pode ser só uma prévia para o que nos espera. Talvez eu não seja atingido, mas milhões de brasileiros serão.

Haverá crescimento econômico, claro. 4 a 5%, e retomaremos o patamar do poço em que estávamos em 2019. O governo comemorará. Mas, é um efeito natural, estatístico (carry over), porque comparado a um PIB reduzido. E, ele se dará a partir do Consumo, não a partir de Investimentos.

O Indicador de Incerteza da Economia, apurado pela FGV, está em 140. A incerteza é baixa quando está abaixo de 100, o que significa uma boa previsibilidade para o planejamento de investimentos em capital fixo. Historicamente, quando ele está elevado, os investimentos caem.

Por que há tanta incerteza? Porque não se acredita e, os sinais que chegam são loucos ou contrários aos esperados.

A economia mundial deve crescer vigorosamente neste ano, por várias razões:

  • pelo efeito estatístico sobre a média deprimida de 2020;
  • a vacinação em massa e a chegada de antivirais, que reduzirão as restrições às interações sociais e comerciais;
  • os impactos retardados dos estímulos monetários e fiscais durante a pandemia;
  • a política keynesiana a ser implantada por Biden, nos EUA, com novos estímulos para a geração de empregos;
  • aceleração do crescimento na China;
  • inflação baixa nos países ricos e manutenção das taxas de juros negativas;
  • crescimento acentuado nas bolsas americanas e outros países;
  • manutenção da desvalorização do dólar (não em relação ao real);
  • o comércio mundial deve crescer;
  • as commodities continuarão se valorizando; etc.

E o Brasil, não vai surfar nessa onda?

Não. A mentalidade governamental teria que mudar. Teria que implementar medidas econômicas que reduzissem a relação da dívida em relação ao PIB e as reformas (?) estruturais.

Mas, o governo é troncho, estúpido, até. A única preocupação real dele é com a reeleição e a segurança da família (não a brasileira, a dele). Ah, e com o Código de Trânsito e a liberação de armas.

De que reformas estamos falando? As mesmas de há dois anos. Só a da Previdência saiu, porque já estava pronta desde Temer. As mais importantes: as tributária e administrativa e as PECs emergencial e do Pacto Federativo. O presidente se opõe a todas. Ele é corporativista e fisiologista. Não mexe nos seus. O ministro da Economia não cansa de fazer papel de bobo, da corte.

Há (ah!) as privatizações. O presidente é estatista. Promete privatizar enquanto cria novas estatais.

A imunização em massa, que poderia ajudar, é combatida pelo governo. Insano e cruel.

O meio ambiente, que também poderia ajudar, é sistematicamente detonado.

As relações externas são um caso à parte: não sei classificar. Deteriorar todas as relações diplomáticas do país, principalmente com os nossos principais mercados (China, EUA, Europa e América Latina), é insólito e suicida.

A saúde está abandonada, com orçamento reduzido, recrudescimento da Covid-19, e uma fila de cirurgias adiadas e procedimentos. Os indicadores de saúde piorarão.

A educação, esquece. Um ano perdido e probabilidade de se perder mais um. Resultado: aumento das desigualdades.

O combate à corrupção foi abandonado. Lava Jato foi para os livros de história. Até a ficha limpa é ameaçada.

O desemprego atual, de 14% exclui um grande número de pessoas que desistiram de procurar emprego. Os brasileiros inativos (sem emprego e sem buscar algum) já são mais de 40%! Somando-se os dois, temos 54% de pessoas desocupadas. Como pode?

Um país sem rumo. De bicos.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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