“Nunca saberás o que é suficiente enquanto não souberes o que é demais.” (William Blake)

Albert O. Hirschman - Photos | Facebook
(Albert O. Hirschman, 1915-2012)

Toda tendência excessiva em uma direção é compensada por uma contratendência. São ‘oscilações‘, na economia e na sociedade. Uma das ‘ideias’ de Albert Hirschman, um economista que não seguia as escolas de pensamento econômico, as teorias vigentes, a ortodoxia.

Um judeu errante, nascido em Berlim, batizado na religião protestante, que viveu na França, Itália, EUA, Colômbia, Chile … lutou na Guerra Civil Espanhola, na África, com as forças americanas … socialista mas adversário feroz do comunismo …

Um economista que mesclava as teorias “puras” com a sociologia, ciência política e história, que alimentava uma vontade de “auto-subversão”, que gostava de explicar e interpretar os fatos sociais não segundo abstratas e genéricas teorias que tudo explicam – mas de acordo com a complexa especificidade daqueles. Um economista do desenvolvimento.

“Não é o meu objetivo fazer previsões de tendências; estou interessado na constelação de fatos e de situações necessárias para que coisas boas possam acontecer.” (Hirschman)

Num de seus artigos, ‘Uma insistência na esperança’, fala aos intelectuais da América Latina: a seu ver, eles erravam na falta de percepção da realização da mudança. A esta postura ele chamou de “fracassomania“.

Apesar de todas as peripécias, mantinha o otimismo, com base na realidade: “Sou muito aberto a novas experiências. Sei muito bem que o mundo social é bastante variável, está em contínua mudança, que não existem leis permanentes. Acontecem coisas de maneira inesperada, instalam-se novas relações de causalidade. Por isso, sempre tive aversão pelos princípios gerais e pelas prescrições abstratas.”

Se alguém proclamava uma lei econômica, procurava mostrar onde e como essa lei não funcionava.

“Estive sempre mais interessado na ampliação da área do possível, daquilo que pode ocorrer, do que na previsão com base em raciocínios estatísticos. Interessa-me, antes, descobrir a possibilidade de que algumas coisas, boas ou terríveis, se verifiquem.”

Citava Amartya Sen, para quem o empenho, commitment, engagement, informa muito mais a ação humana do que o puro cálculo racional.

Na prática, por exemplo: “Existem vantagens tanto em manter um bom fluxo de trocas com o exterior quanto em interrompê-lo. Ambas as políticas podem servir bem ao mecanismo econômico, mesmo se têm efeitos diversos sobre a economia.”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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