Para o que serve o poeta?

Fernando Pessoa: médium ou esquizofrênico? — Correio.news
(Fernando Pessoa)

“Se alguém, vendo Deus, compreende o que viu, não viu Deus.” (Pseudo-Dionísio)

“A poesia talvez não diga nada. A rigor, não diz. O uso que faz das palavras não é para
dizer o que as palavras dizem, mas o que elas não são capazes de dizer. Como a música,
a poesia também não encontra palavras que a possam traduzir. E assim como a lua que
apontamos não deve ser confundida com o gesto do apontar, o sentido das palavras de um
poema não está propriamente nas palavras que o expressam. Não há o lugar do poema.” (Antonio Brasileiro)

“O valor artístico pretende proporcionar um prazer, mas encontra-se a um nível muito elevado, sendo portanto fácil faltar-lhe quem possa usufruir desse prazer; oferece belos manjares, mas ninguém os aceita.

Isso confere-lhe algo de patético que é, segundo as circunstâncias, ridículo e comovente; porque, no fundo, ele não tem o direito de forçar os homens a experimentarem o prazer. Se a sua flauta ressoa, mas ninguém quer dançar, poderá isso ser trágico? Talvez, ao fim e ao cabo.

— Mas ele tem, para o compensar desta privação, maior prazer em criar que o resto dos homens em todos os outros tipos de atividade.” (Nietzsche)


“O único mistério é haver quem pense no mistério.

Quem está ao sol e fecha os olhos,

Começa a não saber o que é o sol

E a pensar muitas cousas cheias de calor.

Mas abre os olhos e vê o sol,

E já não pode pensar em nada,

Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos

De todos os filósofos e de todos os poetas.”

(Alberto Caeiro)

Segue o Teu Destino

Segue o teu destino, 
Rega as tuas plantas, 
Ama as tuas rosas. 
O resto é a sombra 
De árvores alheias. 

A realidade 
Sempre é mais ou menos 
Do que nos queremos. 
Só nós somos sempre 
Iguais a nós-próprios. 

Suave é viver só. 
Grande e nobre é sempre 
Viver simplesmente. 
Deixa a dor nas aras 
Como ex-voto aos deuses. 

Vê de longe a vida. 
Nunca a interrogues. 
Ela nada pode 
Dizer-te. A resposta 
Está além dos deuses. 

Mas serenamente 
Imita o Olimpo 
No teu coração. 
Os deuses são deuses 
Porque não se pensam. 

(Ricardo Reis)

Começo a Conhecer-me. Não Existo

Começo a conhecer-me. Não existo. 
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, 
ou metade desse intervalo, porque também há vida … 
Sou isso, enfim … 
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. 
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. 
É um universo barato. 

(Álvaro de Campos)

“Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Que contasse não uma violência, mas uma cobardia!”

(Álvaro de Campos)

Fernando Pessoa teve mais de 70 heterônimos. Ele não cabia em si. Dizem que já aos 6 anos de idade, deu vida a um amigo imaginário, o Chevalier de Pas, de quem recebia cartas.

Dizem, e ele próprio, que era médium: “(…) estou desenvolvendo qualidades não só de médium escrevente mas também, de médium vidente. Começo a ter aquilo a que os ocultistas chamam a ‘visão astral’ e também a chamada ‘visão etérica’. Tudo isto está muito em princípio, mas não admite dúvidas”, numa carta à tia Anica.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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