No que o passado tem de concreto, a mais do que a ficção?

Hans Brinker
(Hans Brinker)

Reza uma antiga lenda holandesa que um garoto chamado Hans Brinker teria descoberto uma rachadura num dique. Ele então passou a noite inteira com o dedo enfiado no buraco, enfrentando frio, fome, sono e sede, até receber ajuda na manhã seguinte. Com este ato de bravura, impediu o rompimento da barragem e salvou sua aldeia.

A lenda, entretanto, não foi criada na Holanda.

Hans Brinker é uma invenção americana, mas os holandeses criaram traduções, estátuas e espaço cultural-folclórico para o holandês, a partir da procura do Hans por turistas americanos.

A Holanda teve sua cota de inundações, já que a maior parte dela está abaixo do nível do mar. Na Idade Média, as inundações ocorriam quase a cada década e os holandeses, engenhosamente e habilmente, construíram um sistema de diques para conter as águas das inundações. Os diques se tornaram uma referência da Holanda noutros países, incluindo a América.

O que diz a lenda:

“Muitos anos atrás, um belo rapaz, chamado Hans Brinker, morava em Haarlem, uma das principais cidades da Holanda. Seu pai era um açudeiro, um homem que abria e fechava os grandes portões de carvalho para regular a quantidade de água que fluía neles.

Numa tarde, Hans, de oito anos, saiu para visitar um amigo que morava no campo, do outro lado do dique.

Caminhando ao longo do canal a caminho de casa, Hans ouviu o som de água escorrendo. Ele olhou para cima e viu um pequeno orifício no dique e observou um minúsculo jato de água fluindo dele.

Rapidamente inseriu seu dedo gordinho no buraco e o fluxo de água parou. A noite toda ele tapou o buraco do dique, entorpecido de frio e medo.

Ao amanhecer, um clérigo voltando da cabeceira de um paroquiano doente, caminhou ao longo do topo do dique. Pensando ter ouvido alguém gemendo, ele espiou pela beirada e ao longe viu Hans se contorcendo de dor.

O clérigo rapidamente pediu ajuda. Hans impedira uma inundação desastrosa.”

A história do menino, com seu heroísmo inspirador, nasceu num romance escrito por uma autora americana, Mary Mapes Dodge, em 1865.

Bom. Hans Brinker é uma ficção. Mas, passou a ser um personagem da vida holandesa.

Alguém com uma mensagem, de heroísmo. No que isso difere de protagonistas que ‘realmente’ viveram? E dos que supostamente viveram, como tantos?

No que o passado tem de concreto, a mais do que a ficção?

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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