“O maior inimigo da verdade não costuma ser a mentira, mas o mito” (John Kennedy)

Igor Gouzenko - 1945  
// na0328-gouzenko na032815-gouzenko na032815-gouzenko
(Igor Gouzenko)

5 de setembro de 1945. A Segunda Guerra Mundial havia terminado apenas três dias antes com a rendição do Japão, e fazia menos de um mês desde que os americanos haviam inaugurado a era nuclear lançando suas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.

Os EUA ainda comemoravam sua vitória.

Mas, no Canadá, um jovem criptógrafo da embaixada soviética, Igor Gouzenko, estava insatisfeito. Deveria voltar para Moscou, mas não queria mais a opressão do regime stalinista.

“Esta noite seria o ponto de virada da minha vida e da vida da minha família, da escravidão soviética à liberdade democrática”, escreveu em suas memórias.

Ele deixou a embaixada soviética decidido a desertar e, levou um maço de papéis secretos escondidos sob a camisa. A guerra não havia acabado; agora ela seria ‘fria’.

“A colônia soviética em Ottawa, ostensivamente um paraíso, um exemplo brilhante de eficiência para a nação capitalista imitar, logo esvaneceu.

Mesmo enquanto eu respirava o ar limpo e livre do Canadá através das barras de aço da janela da minha sala de criptografia, vinham de trás e ao meu redor os sons horríveis de brigas, surgindo de pequenas intrigas podres e episódios que cavaram na fina crosta de moralidade da hipócrita Embaixada da URSS.” (Gouzenko)

Sua deserção provocou uma onda de choque que deflagrou uma caçada internacional a espiões no mundo inteiro. Esses documentos sugeriam que agentes soviéticos, inclusive o conceituado cientista nuclear inglês Alan Nunn May, estavam roubando segredos atômicos do Ocidente.

“Em 24 de julho, mencionei casualmente a Stálin que tínhamos uma nova arma de força destrutiva fora do comum. Ele não mostrou qualquer interesse especial. Tudo o que disse foi que estava feliz em ouvir isso e que esperava que a usássemos com êxito contra os japoneses” (Harry S. Truman)

Essa fala ocorreu ao final da Conferência de Potsdam, em 2 de agosto. Stalin já sabia e trabalhava na sua bomba.

Em 7 de setembro, Edgar Hoover, diretor do FBI, comunica a Truman a fuga do soviético e os desdobramentos: o governo de Stalin obtivera informações completas a respeito da bomba atômica. O Alan May, que teria trabalhado no laboratório de pesquisas da Universidade de Chicago, onde entendeu todo o processo de fissão de urânio, até fornecera aos soviéticos uma amostra de urânio-235 radioativo, e informações sobre a tecnologia naval americana.

Terminava o sossego americano. O antigo inimigo, aliado durante a guerra, voltava a ser risco, num nível mais acentuado.

Em 29 de Agosto de 1949, ele testa sua primeira bomba.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: