A casa de Pavlov

pavlovs house
(A casa de Pavlov)

Independentemente de ideologias, o ser humano é capaz de lances heroicos – não necessariamente patrióticos, como depois se propagandeia. O local, o torrão natal, com seus familiares e amigos próximos são os motivadores para uma reação, até heroica – ou desesperada. Nação, Pátria, País, são ficções, manipuláveis por políticos. Esses mesmos políticos que conclamam à sua defesa são capazes de mobilizar o povo para agressões externas.

Há ‘líderes’, que capitalizam os sucessos e acusam os outros por derrotas; egocêntricos e sociopatas. Na URSS, por exemplo, a perda de 27 milhões de vidas não se deve apenas à ação dos invasores alemães, mas, também, ao desprezo de Stalin por seu próprio povo.

Desprezo pelo próprio povo é uma característica dos ‘líderes’ autoritários.

Na Segunda Guerra, houve vários episódios de heroísmo. Um que me impressiona foi a defesa de Stalingrado (hoje Volgogrado e, antes da ascensão de Stálin, Tsarítsin), cujo cerco foi iniciado no final do verão de 1942 e seguiu até fevereiro de 1943, quando os alemães se renderam e Hitler começava a perder a guerra, embora não aceitasse o fato.

A batalha de Stalingrado foi, para muitos, a mais importante da II Guerra. Outros, entretanto, acham que foi a vitória das tropas aliadas em El Alamein, no Egito.

Stalingrado é, supostamente, a batalha mais sangrenta da história da humanidade; mais de dois milhões de pessoas morreram.

Merece destaque a obstinada defesa da “Casa de Pavlov“, que durou 58 dias!

Em fins de setembro, um batalhão soviético capturou um prédio de quatro andares, no topo da margem do rio Volga. Logo no início do combate, seu comandante ficou cego e, o sargento Jakob Pavlov assumiu o comando. Restara ele e dois soldados; depois seu contingente aumentou para 25 homens.

Um sargento de uma vila desconhecida na Rússia que quase sozinho alterou a balança da batalha que mudou o curso da Segunda Guerra Mundial na Europa. Antes da guerra era um fazendeiro.

Descobriram vários civis no porão, que permaneceram durante toda a batalha. Maria Ulianova, um deles, teve participação ativa na defesa.

Os homens de Pavlov demoliram paredes do porão para melhorar as comunicações e abriram buracos em algumas para criar melhores pontos para suas metralhadoras e fuzis antitanques de cano longo. Sempre que os panzers se aproximavam, eles se dispersavam para o porão ou para o andar mais alto, de onde tinham condições de combatê-los melhor.

Os panzers não podiam erguer seu principal armamento o suficiente para revidar os disparos – não fora projetado para guerrilhas urbanas. Tudo foi tentado, e o prédio não caía.

A certa altura, os alemães ficaram tão fartos que chamaram uma Divisão Panzer completa; levaram seus tanques tão perto do prédio que basicamente bateram com seus canos nas janelas e atiraram à queima-roupa na sala de estar. Mas mesmo isso falhou miseravelmente. Pavlov percebera seus movimentos e já havia esvaziado os andares principais e movido seu armamento antitanque para o porão, de onde atacaram diretamente através da blindagem do piso dos tanques e explodiram todos dentro. Há muitas histórias, que o tempo se encarregará de aumentá-las.

Há quem diga que Pavlov e seus homens mataram mais alemães do que quando estes invadiram Paris.

Após a guerra, ele se filiou ao Partido Comunista. Foi eleito três vezes deputado ao Soviete Supremo da URSS.

Pavlov morreu em 29 de setembro de 1981.

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(Casa de Pavlov)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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