Tistu

Meu trabalho de conclusão para o curso de Design Gráfico. Adaptação de ro…  em 2020 | Livros de historia infantil, Livros de histórias infantis,  Leitura na educação infantil

“… havia, no entanto, um menino a quem todos chamavam Tistu…”

Muitos conhecem sua história, criada por Maurice Druon, ex-ministro da Cultura da França.

“Se só viemos ao mundo para ser um dia gente grande, logo as ideias pré-fabricadas se alojam facilmente em nossa cabeça, à medida que ela aumenta. Essas idéias, pré-fabricadas há muito tempo, estão todas nos livros. Por isso, se a gente se aplica à leitura ou escuta com atenção os que leram muito, consegue ser bem depressa pessoa importante, igual a todas as outras.”

Acreditamos, a maioria, nessa reprodução: o conhecimento seria totalmente retransmissível. Somos clones culturais, a depender do processo educacional.

Mas, para as pessoas que teimam em não aceitar a ‘normalidade’, a estandardização, o saber institucionalizado não serve: “quando a gente veio à terra com determinada missão,
quando fomos encarregados de executar certa tarefa, as coisas já não são tão fáceis. As ideias pré-fabricadas, que os outros manejam tão bem, recusam-se a ficar em nossa cabeça”
.

E, quem veio ao mundo sem uma ‘determinada missão’? Talvez morra sem conhecê-la, o que é outro problema.

Aos oito anos, Tistu foi para uma escola. Dormia durante as aulas.

“Quando começava o lento desfile das letras que caminham a passo pelo quadro-negro, quando começava a se desenrolar a monótona corrente dos três–vezes-três, dos cinco vezes-cinco, dos sete-vezes-sete, Tistu sentia uma coceira no olho esquerdo e logo caía no mais profundo sono. Não é que ele fosse burro ou preguiçoso, nem que estivesse cansado.”

Acabou expulso da escola: “Prezado Senhor, o seu filho não é como todo mundo. Não é possível conservá-lo na escola.”

Sr. Papai, confiante na capacidade de Tistu, e como era homem de rápidas decisões, resolveu: “– Vamos experimentar um novo sistema de educação, já que ele não é como todo o mundo! Aprenderá as coisas que deve saber olhando-as com os próprios olhos. A vida, afinal, é a melhor escola.

O recado é, obviamente, que toda aprendizagem implica em ação. Crianças aprendem fazendo, falando, argumentando, convivendo, compartilhando, brincando.

Lembrei desse livro porque, ontem, ouvi uma vizinha, aos gritos e beliscões, tentando ‘ensinar’ a tabuada a uma filha pequena. Qual a chance desta vir a gostar de escola e, especialmente, de matemática?

Ah, aproveito para lembrar outra atualidade do livro, embora escrito em 1957, a pólvora:

Mirapólvora era como se chamava a cidade onde Tistu nascera. Sua reputação e prestígio provinham da casa e, sobretudo, da fábrica do Sr. Papai. Mirapólvora, à primeira vista, era uma cidade como as outras: igreja, cadeia, quartel, mercado, boutique. Mas essa cidade como as outras era conhecida no mundo inteiro. Porque era em Mirapólvora que o Sr. Papai fabricava canhões de todos os calibres, grandes ou pequenos, muito procurados. Canhões de bolso ou com rodas; para trens, aviões, tanques ou barcos; para atirar por cima das nuvens ou dentro d’água.”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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