A imperfeição é nosso paraíso

The Thrilling Mind of Wallace Stevens | The New Yorker
(Wallace Stevens)

“Mesmo que esta simplicidade completa

Pudesse afastar todo tormento, ocultar

Esse composto perverso e vital, o eu,

Fizesse dele coisa nova num mundo

De água clara, branco e nítido, ainda assim

Seria preferível, necessário, mais,

Mais que um mundo de neve e cheiros brancos.

Haveria ainda a consciência inquieta:

Daí a vontade de fugir, voltar

Ao que há tanto tempo foi composto.

A imperfeição é nosso paraíso.

E nesse travo amargo, o prazer,

Já que o imperfeito arde tanto em nós,

Está nas palavras falhas, obstinadas.”

(Os poemas de nosso clima – trechos)

Wallace Stevens é contemporâneo, embora tenha morrido em 1955. Um poeta, porém obrigado a vestir ternos, pois era um executivo da área de seguros. Esta formalidade encobria, mas não asfixiava, sua alma poética. Essa dualidade está nas suas poesias.

Há uma imagem, ainda, de que um profissional do mercado – principalmente financeiro – não pode transparecer sensibilidade, só lógica (aparentando acertos). Abestalhamento: a vida não pode ser um estábulo. A forma não expressa a vida. A mimese é só representação.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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