“Se alguém lhe disser que uma certa pessoa fala mal de você, não se justifique sobre o que é dito sobre, mas responda: ‘Ele ignora minhas outras falhas, senão não teria mencionado só essas'” (Epiteto)

(Epiteto, gravura século XVIII)

Epiteto (ou Epicteto) era um escravo do secretário de Nero. Viveu entre 55 e 135 d.C.

Era um estoico. Preocupava-o o que torna uma vida plena e, como ter qualidades morais. Preocupações datadas. Hoje não faria sentido.

Se alguém realiza algum bem embora com trabalho, a labuta passa, mas o bem permanece; se alguém faz algo desonroso com prazer, o prazer passa, mas a desonra permanece” (ditado grego)

“O homem que sofre antes de ser necessário, sofre mais que o necessário.”

“Não se pode acreditar que é possível ser feliz procurando a infelicidade alheia.” (Sêneca)

“Hoje escapei à ansiedade. Ou antes, dispensei-a – porque ela estava em mim, na minha perspectiva – não no mundo exterior.” (Marco Aurélio)

Epiteto nasceu dez anos antes da morte de Sêneca, e morreu 14 anos após o nascimento de Marco Aurélio – ambos estoicos.

Marco Aurélio, em Meditações, humildemente fala que guardou alguns ensinamentos:

  • de Marco Cornélio Frontão, contemporâneo: como descobrir o que são a inveja, o fingimento, a hipocrisia dos tiranos e a insensibilidade da maioria.
  • de Marco Catulo: nunca demonstrar indiferença às queixas de um amigo, mesmo que infundadas.
  • do seu irmão Severo, assimilou a ideia de um Estado com leis iguais para todos e a assegurar igualdade e liberdade aos cidadãos e seus direitos.
  • do pai adotivo (Antonino Pio), aprendeu a bastar-se a si mesmo, ter serenidade, abafar as ovações e todas as formas de bajulação, administrar acuradamente as rendas do Estado, sendo parcimonioso … Etc.

Foi o último dos “cinco bons imperadores” ( Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio), segundo Maquiavel

“(…)  enquanto todo os imperadores que acederam ao trono por nascimento – exceto Tito – foram ruins, todos que acederam por adoção foram bons, como foi o caso dos cinco de Nerva até Marco. Mas tão logo o império caiu novamente nas mãos dos herdeiros por nascimento, sua ruína recomeçou (…) (Maquiavel)

(Marco Aurélio)

Os estoicos, filósofos, perceberam que poderiam influenciar o povo, ao invés de simplesmente assessorar aos poderosos. Mas, já naquela época, os imperadores não gostavam que outros ganhassem popularidade. Públio Trásea Peto, por exemplo, foi executado a mando de Vespasiano, menos em razão de suas opiniões filosóficas, mas por sua atitude, que o fazia“cultivar a multidão”.

Da mesma forma, Nero baniu Musônio Rufo (também estoico) porque sentia medo e desconfiava de todos os que houvessem adquirido alguma notoriedade, suspeitando que eles formassem uma facção.

O mundo roda, mas certas práticas não são superadas e os ensinamentos não são repassados.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: