“Com Voltaire, a pena voa e ri” (Victor Hugo)

File:Un dîner de philosophes.Jean Huber.jpg
(iluministas – Voltaire com o braço erguido, de Jean Huber)

Voltaire foi o autor do Dicionário Filosófico, embora, para se proteger dos poderosos, fomentadores da superstição, do fanatismo, da extravagância e da tirania, assumiu a autoria dos verbetes menos controversos e os mais delicados, designou a autores já falecidos ou estrangeiros.

Victor Hugo dizia que “com Voltaire, a pena voa e ri”. Sua verve tratava tudo como pouco sério. Paródias, sátiras, burlas eram ferramentas úteis para incomodar o ‘estabelecido’.

“A obra passa de mãos em mãos sem causar estrondo ou escândalo, as pessoas leem, sentem enorme prazer com a leitura, mas … sempre fazem o sinal da cruz para impedir que o prazer seja demasiado grande”. (D’Alembert)

Algumas falas:

“As religiões são como os vagalumes, brilham apenas na escuridão.”

“Em todas as discussões sobre a liberdade, um argumentador quase sempre entende uma coisa e seu adversário, outra.”

“As abelhas podem parecer superiores à raça humana, porque de sua substância produzem uma substância útil, enquanto de todas as nossas secreções não há uma só que seja boa para algo, e não há uma só que não torne o gênero humano desagradável.”

“Almas imundas, fanáticos absurdos, todos os dias indispõem os poderosos e os ignorantes contra a cultura … É muito perigoso ter razão nos assuntos em que as autoridades estão completamente equivocadas.”

“O que vem a ser isso que batizaste de espírito, do vocábulo latino que quer dizer sopro, não lhe dando nome melhor por não teres a menor ideia do que seja?”

Vampiros eram mortos que saíam à noite dos cemitérios para vir sugar o sangue dos vivos … Era na Polônia, na Hungria, na Áustria que os mortos faziam esse rega-bofe. (…) Não se ouve falar de vampiros em Londres, nem mesmo em Paris. Convenhamos que nessas duas cidades houve agiotas, financistas e negociantes que sugaram o sangue do povo em plena luz do dia … mas não moravam em cemitérios, mas em palácios agradabilíssimos.”

Alma é um termo vago e indeterminado que exprime um princípio desconhecido com efeitos conhecidos, que sentimos em nós … o que não é motivo para nos entregarmos às fantasias do ‘livro sagrado’ dos hebreus e dos cristãos, com suas fábulas caprichosas, contradições abusivas e falta de sentido em geral.”

Voltaire, apesar das sátiras, tenta sempre proclamar o triunfo quase inevitável da razão. Ele temia que a predominância da razão não estava assegurada e poderia ser passageira.

Num momento, ele conversa com a Natureza: – “Quem és, natureza? Vivo em ti; há cinquenta anos te busco e ainda não consegui te encontrar. (…) Estás sempre atuando? Estás sempre passiva? Teus elementos se organizaram por si mesmos? Tens um espírito que dirige todas as tuas operações?”

A Natureza responde: – “Sou o grande todo. Não sei mais que isso. Não sou matematicista; e tudo em mim está arranjado de acordo com leis matemáticas. Sinto muito bem que em mim há uma inteligência; tu tens uma, mas não a vês. Tampouco vejo a minha; sinto esse poder invisível; não posso conhecê-lo; por que tu, que és apenas uma pequena parte de mim, queres saber o que não sei?”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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