Nossas amazonas

(Aquarela de Francisco Requeña y Herrera)

1541. Francisco Pizarro era o governador do Peru e seu irmão, Gonzalo Pizarro era obcecado com as histórias de El Dorado. Gonzalo resolveu fazer uma expedição para encontrá-lo.

Ele ficou vagando por meses nos contrafortes orientais dos Andes, já entre densas florestas. Sem mantimentos, seu primo Francisco de Orellana, o segundo no comando, propôs dividir a expedição para tentar obter suprimentos e seguiu, rio abaixo, no único barco que dispunham.

Frei Gaspar de Carvajal acompanhou Orellana, o primeiro explorador do rio Amazonas. Em 1542, a expedição chegou à foz do grande rio. Carvajal nos deixou um impressionante relato dos povos que viviam à margem do Amazonas, como os Omagua, que produziam uma cerâmica sofisticada, comparada pelos conquistadores com a chinesa.

Nesta aventura, Carvajal foi atingido por uma flecha no rosto, ficando cego de um olho.

No seu relato fala da existência de grandes populações indígenas e cita mulheres guerreiras, tipo Amazonas. A região seria densamente povoada e próspera.

“… as terras desse grande senhor Machiparo, e que, no parecer de todos, teria mais de oitenta léguas, todas povoadas, que não havia de povoado a povoado um tiro de balhesta, e as mais distantes, não se afastavam mais de meia légua, e houve aldeias que se estendiam por mais de cinco léguas sem separação de uma casa para outra, o que era coisa maravilhosa de ver. Como íamos de passagem e fugindo, não tivemos oportunidade de saber o que havia terra a dentro.”

Logo após a divulgação do manuscrito, Carvajal foi contestado pelos ‘historiadores’ de plantão que, ainda hoje, argumentam que nunca existiram sociedades de larga escala na bacia do rio Amazonas.

O relato de Carvajal, entretanto, foi corroborado, um século depois, por Cristóbal de Acuña, para quem essa região de Machiparo coincide com a província de Yoriman, que ele chama “a mais belicosa nação de todo o rio das Amazonas e que em primeiras entradas atemorizava a esquadra portuguesa, estendendo-se por pouco mais de 60 léguas, ‘mas tão sobrada de gente’, como não havia em outro lugar do grande rio.”

“… os índios recomendaram que, se fôssemos ver as amazonas, que chamam na sua língua ‘coniupuiara’, que quer dizer grandes senhoras, que víssemos o que fazíamos, porque éramos poucos e elas muitas, e que nos matariam. Que não parássemos em sua terra …”

“Estas mulheres são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muito membrudas e andam nuas em pelo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios.”

Essas mulheres, “amazonas” como no mito grego, lutavam sem trégua e viviam sem homens. Quando queriam reproduzir, capturavam homens. Depois de seus “caprichos terem sido satisfeitos”, elas voltavam e devolviam os raptados a seus lares, segundo Carvajal.

Orellana morreu em 1546, numa segunda viagem fracassada à Amazônia.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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