A marca da escravidão

(Escravo sendo açoitado em público. Pintura de Johann Moriz Rugendas)

Renegar a escravidão no Brasil é o divertimento de parte da direita no país. Se ela ainda houvesse, legalmente, eles se sentiriam à vontade.

Conquistas sociais não podem se limitar às ‘conquistas’; sua manutenção não é garantida.

O exemplo vem da Fundação Cultural Palmares, que “tornou-se referência nacional e internacional na formulação e execução de políticas públicas da cultura negra, atuando para promover a inclusão social da população afro-brasileira”. O presidente desta instituição, a considera, e ao movimento negro, “uma escória maldita”.

Sergio Camargo, da Fundação Palmares, chega ao Planalto para almoço com  Bolsonaro - A Crítica de Campo Grande
(Sergio Camargo contente, ao lado do presidente)

Atribuir aos africanos a própria escravidão, porque na África já havia essa prática, é no mínimo idiotice. Na África, os escravizados eram considerados prisioneiros de guerra, muitas vezes sendo livres depois de algumas gerações; não eram mercadorias.

Ignorar que os europeus ‘industrializaram’ o processo, com a captura e translado para as Américas de cerca de 13 milhões de africanos (aproximadamente a metade veio para o Brasil) e que a abolição tardia não aboliu o racismo (os escravos são “naturalmente negros”), é uma estupidez.

Os tubarões mudaram seu comportamento, ao alterarem sua rota para seguir os navios negreiros, com garantia de comida fácil pelo descarte de negros mortos, relata Laurentino Gomes, mas certa elite nacional não consegue mudar seu pensamento.

Ah! E os índios, que os livros de história ensinam que eles “não se adaptaram à escravidão”?!

Onde se lê sobre o massacre sangrento que os portugueses impingiram aos índios, através de “missões” evangelizadoras e escravização? Alguém conhece os feitos de Bento Maciel Parente, um “terrível caçador de índios” do século 17, que atuava no forte de Belém? Como governador do Ceará, matava os índios e tornava as índias suas concubinas. Certa vez prendeu 24 chefes indígenas e os executou imediatamente.

“Os condenados deveriam ter o corpo rasgado ao meio pela tração de dois cavalos, mas, como não existiam tantos cavalos assim no forte, cada um deles teve os pés amarrados a duas canoas impulsionadas por remadores em direções opostas.” (Márcio Souza)

Ou se fala em Pedro da Costa Favela, que em 1657 fez uma expedição para atacar índios “rebeldes” perto de Belém? “Sem nenhuma contemplação, ele perpetrou uma série de massacres; reduziu a cinzas mais de 300 aldeias, assassinou 700 índios, incluindo velhos, mulheres e crianças, além de ter escravizado 400 homens e mulheres”, conta Márcio Souza.

“… só desde o ano de 1615 até 1652, como refere o mesmo Padre Vieira, tinham mortos os portugueses com morte violenta para cima de 2 milhões de índios, fora os que cada chacinava às escondidas. (…) Havia tanta facilidade aos brancos em matar índios, como em matar mosquitos.” (Relato do padre jesuíta João Daniel, que morreu na prisão por representar uma corrente mais humanista)

Em 1545, São Vicente, a capitania de Martim Afonso de Souza, tinha 3 mil índios escravizados. O primeiro leilão de índios brasileiros escravizados (85 deles) foi registrado em 1515, em Valência, na Espanha.

Só no ano de 1632, o “bandeirante” Raposo Tavares escravizou entre 40 mil e 60 mil índios. Em 1687, São Paulo tinha 1.500 moradores brancos e 10 mil escravos indígenas.

Não se fala sobre a rebelião dos indígenas ‘muras’ contra os portugueses, a partir de 1720, após um grupo deles ter sido enganado e vendido como escravos em Belém. Eles atacaram, então, uma colônia portuguesa. Os embates duraram cerca de 50 anos. Mais de 30 mil muras foram mortos; mas, 10 mil colonos foram abatidos.

Neste ano, Paulo Guedes disse num discurso nos EUA: “Vocês mataram seus índios, não miscigenaram; isso não aconteceu no Brasil. Somos um povo gentil. As grandes histórias de como matamos nossos índios são falsas.” Onde esse pessoal vive? Eles acreditam mesmo no que falam?

No ano 1600, a população indígena da América foi estimada em 10 milhões; um quinto do número existente quando da chegada dos europeus.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

2 comentários em “A marca da escravidão

  1. Na verdade essa divisão é mais uma prova que a escravidão contínuas. Qual o problema de brando, negro índios os que alcançam grau superior estudarem juntos ? Somos todas iguais sem distinção de cor , raça, credo, é o que diz a Carta Magna. Os índios foram os primeiros habitantes desse Brasil Varonil. Cada hora que se divide em brancos, negros, índios, cotas evidencia-se a discriminação. A mesma capacidade de raciocínio do branco é a mesma do negro. Enquanto não acabar com isso , continua a escravidão mental dos povo é seus governantes.

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