Não é só um mico

A história do mico-leão-dourado, um dos símbolos da complexa relação entre  homens e natureza | Blog da Amélia Gonzalez | G1
(mico-leão-dourado)

O mico-leão está em processo de ‘integração’. Emigrou para a floresta amazônica para provar que lá não há incêndios.

Os militares estão ‘tratando’ a questão amazônica como nunca fizeram, nem durante a ditadura. A Amazônia retoma seu processo de Integração Nacional. Logo farão mais transamazônicas.

Há uma paranoia de que países ricos querem tomar a região; assunto para as forças armadas. Só que floresta não é bom local para uma atuação militar, é necessário torná-la um campo aberto.

A preocupação do Exército é com “Responsabilidade de Proteger”, defendida pela ONU: quando um Estado não é capaz, ou não assume a responsabilidade de aplicá-lo, essa ação recai sobre a comunidade internacional. O ‘proteger’ não é entendido como ‘manutenção’ da floresta, mas como questão militar. Usa-se o ‘exemplo’ do Japão, quando invadiu a Manchúria em 1931, para ‘protegê-la’; o mesmo argumento usado por Hitler em relação à Polônia.

A rigor, o “Princípio da Responsabilidade de Proteger”, da ONU, estipula que Estados devem proteger suas populações de genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e todos os outros crimes contra a humanidade. É disso que trata. O resto é ‘procurar o que fazer’, conforme a expressão popular “mente vazia, oficina do diabo”. É preciso imaginar e se preparar – fazer alguma coisa.

“Reavivemos alguns casos usados referentes a cobiça e ao desejo antigo de internacionalizar a Amazônia:
• A tese defendida, em 1850, pelo chefe do Observatório Naval de Washington, Mathew Maury, propunha a ocupação norte-americana da Amazônia, expandindo a produção de algodão daquele país, desviando toda a sua estrutura, incluindo os escravos africanos, para a região, como forma de evitar uma guerra civil entre o norte e o sul;
• A tentativa da UNESCO, em 1948, de criação do Instituto Internacional da Hileia Amazônica, aceita pelo Brasil, e tão somente depois, rejeitada pelo Congresso;
• A proposta do Hudson Institute (Herman Kahn), apresentada em 1967 e intitulada “Plano Mar Mediterrâneo” previa a construção de sete lagos (quatro no Brasil e três na Colômbia) na floresta amazônica e a
abertura de uma hidrovia interior, com saída para o Pacífico, alternativa ao Canal do Panamá;
• A persistente campanha, desde 1981, do Conselho Mundial de Igrejas Cristãs, para a criação de “nações indígenas”. (Carlos Alberto P. Silva, general da reserva)

Há, ainda o ‘risco’ do “Triplo A”, uma proposta feita em 2015 pelo presidente da Colômbia para criar um ‘corredor ecológico’ que iria dos Andes ao Atlântico, passando pela Amazônia.

Além disso, vez em quando líderes de outras nações falam da Amazônia como se fosse a casa da mãe Joana:

  • Madeleine Albright, secretária de Estado dos Estados Unidos: “Quando o meio ambiente está em perigo, não existem fronteiras”.
  • François Mitterrand: “Alguns países deveriam abrir mão de sua soberania em favor dos interesses globais”.
  • Mikhail Gorbachev: “O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais”.
  • Al Gore: “Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é só deles, mas de todos nós”. Etc.

Soma-se a campanha de concorrentes internacionais do nosso agronegócio, que gostariam de ‘limitar’ geograficamente sua expansão e, supostamente, limitar seu consumo com campanhas que defendem a preservação da floresta.

Os militares acham que a região precisa, então, ser defendida, não das agressões que sofrem de grileiros, madeireiros e mineradores, mas do olho grande de inimigos externos e sua quinta coluna interna. Daí, o processo de “integração”, geográfica, econômica e indígena.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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