Numa estação de Metro (poesia de Manuel António Pina)

Visão | Entrevista a Manuel António Pina

A minha juventude passou e eu não estava lá.

Pensava em outra coisa, olhava noutra direção.

Os melhores anos da minha vida perdidos por distração!

Rosalinda, a das róseas coxas, onde está?

Belinda, Brunilda, Cremilda, quem serão?

Provavelmente professoras de Alemão

em colégios fora do tempo e do espa-

ço! Hoje, antigamente, ele tê-las-ia

amado de um amor imprudente e impudente,

como num sujo sonho adolescente

de que alguém, no outro dia, acordaria.

Pois tudo era memória, acontecia

há muitos anos, e quem se lembrava

era também memória que passava,

um rosto que entre os outros rostos se perdia.

Agora, vista daqui, da recordação,

a minha vida é uma multidão

onde, não sei quem, em vão procuro

o meu rosto, pétala dum ramo úmido, escuro.

Manuel António Pina nasceu na região da Beira Alta, Portugal, em 1943. Foi advogado, jornalista, poeta e escritor. Morreu em 2012, na cidade do Porto.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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