A psicologia das massas, segundo Hitler

Hitler ria quando o nazismo era confundido com a esquerda

Sempre me perguntei se são as pessoas – indivíduos comuns – que fazem a história, ou se elas são meras captadoras e retransmissoras de energias que, de uma ou outra forma, fariam sentir sua força transformadora.

Leio muito sobre Hitler, Lênin, Mao, Stalin e outros ‘transformadores’ da história; “parteiros da história”.

Lênin, por exemplo, contrariando as ideias marxistas, formou uma elite de indivíduos “revolucionários profissionais”, com a atribuição de fazer a história acontecer, produzindo a faísca detonadora de processos revolucionários. Não é à toa que seu jornal no exílio chamava-se “Iskra“, faísca em russo.

“A manipulação das massas, central nas táticas do nazismo e do leninismo, funcionou para esses movimentos graças à conformação mental, em suas raízes mais profundas essencialmente religiosas …” (Walter Langer)

Lênin, uma das principais figuras da “era dos extremos” – Jornal da USP

Tanto na Rússia quanto na Alemanha, foi fundamental o conceito de “Führerprinzip“, o guia sábio, o salvador da pátria, o infalível, incontrastável.

Hitler, em Mein Kampf, explica porque adotava uma postura distante, autoritária e inatingível nas suas aparições públicas. Avaliava que as multidões são “femininas”:

“A psique das massas não reage a nada que seja fraco ou pela metade. Tal como uma mulher, cuja sensibilidade espiritual é determinada menos pela razão abstrata do que por um desejo emocional indefinível de alcançar poder, e que, por essa razão, prefere se submeter ao homem forte, e não ao fraco, a massa também prefere quem dá ordens, e não quem implora.”

Por isso, vestia-se como militar, de suas milícias. Ele não só não implorava como sempre apontava “outros” como responsáveis por suas falhas. Os inimigos.

“Hitler aproveitava cada brisa para criar um redemoinho político. Nenhum escândalo oficial era tão insignificante que ele não pudesse transformá-lo em traição nacional.” (Walter Langer)

Um vendaval. Eis a tática política. Um país cheio de traíras; aqueles que abandonaram a “causa”.

Ainda, segundo Hitler, seu eleitor alvo precisa ficar sem alternativas:

“Há pouco espaço num cérebro, ou, por assim dizer, pouco espaço de parede, e, se você mobiliá-lo com seus slogans, a oposição não terá lugar para pendurar seus quadros, porque o aposento do cérebro já estará abarrotado com sua mobília.”

Regimes totalitários, ou os que se preparam, procuram produzir “agentes irreflexivos” ou “pessoas incapazes de pensar do ponto de vista de outra”. São pessoas que fariam o mal sem ser pessoalmente más, conforme Hannah Arendt.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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