A natureza é uma cornucópia?

(Cornucópia, símbolo da fertilidade, riqueza e abundância)

Nas tensões e discussões que envolvem ciência ambiental, população, dinâmica de recursos e ecologia, temos os malthusianos e os cornucopianos; escassez e abundância.

Os que observam Thomas Malthus, expressam preocupações de que o crescimento exponencial da população humana e as demandas econômicas superem os recursos globais necessários para apoiar as pessoas, minando a sustentabilidade a longo prazo.

Os cornucopianos, por outro lado – com seu aceno à cornucópia ou “corno da abundância” da mitologia grega – sustentam que os avanços tecnológicos podem sustentar as necessidades da sociedade e que o crescimento econômico ilimitado e o aumento da população são positivos, dando origem a mais boas idéias.

Lembrando, a população mundial chegará perto de 10 bilhões de pessoas em 2064 e depois diminuirá para 8,8 milhões em 2100. Ela explodirá na África subsaariana e no sul da Ásia, com justas necessidades de consumo adicionais; enquanto que na Europa, Américas e Leste Asiático, a população tende a cair, mas não necessariamente o consumo per capita.

Nas últimas décadas, as mudanças climáticas causadas pelo homem, desmatamento e extinção de espécies, pressões populacionais e novas ameaças à saúde pública, tornaram-se mais claras e entraram na pauta. O planeta chega a seu limite exploratório e mostra sinais de irritação. A natureza não é essa cornucópia com paciência infinita que alguns presumem.

Sempre aparecem bons-moços para tranquilizar a todos e referendar o processo destrutivo que implantamos desvairadamente, como recentemente fez Michael Shellenberger com o livro “Apocalypse Never: Why Environmental Alarmism Hurts Us All”. Tudo o que pensamos, e sentimos é sumariamente classificado como ‘alarmismo’, que trava o milagre do progresso.

Ele procura promover a visão da Cornucópia de que os problemas ambientais podem ser eliminados se apenas buscarmos um crescimento econômico agressivo, simples avanços tecnológicos e maior aproveitamento de recursos naturais abundantes. Ao fazer isso, ele repete esforços anteriores de autores como Herman Kahn, Julian Simon e Bjørn Lomborg.

Sua estratégia, conhecida, é que ele se descreve como ativista ambientalista e portador de fatos e ciências para combater o “exagero, alarmismo e extremismo que são inimigos de um ambientalismo positivo, humanista e racional”. O ambientalismo teria ficado fora de controle. Controles, então, é a solução!

Outro que volta à carga é Bjørn Lomborg, o “cético”. Ele “alerta” para o “Alarme Falso” ambiental, que produz “pânico e nos custa trilhões, fere os pobres e falha em consertar o planeta”.

Para ele, a ciência (ah, a ciência!) fornece maneiras de equilibrar cuidadosamente custos e benefícios. E, o vilão desse “alarme falso”, o bicho-papão de todos os males da sociedade, é a mídia hiperventiladora. Já ouvi isso.

O argumento que usa é o suposto equilíbrio, a ponderação: “Assim como outras pessoas no campo de Lomborg, há um pretexto neste livro de equilíbrio e referência a estudos cuidadosos. Sim, as mudanças climáticas são reais. Sim, devemos fazer algo sobre isso. Mas, vai a mensagem dele, vamos ser reais, também há outros problemas. Os recursos são escassos. Quanto mais dinheiro gastamos com as mudanças climáticas, menos temos para fazer crescer a economia; e como todos sabemos (ou sabemos?), todos se beneficiam do crescimento, especialmente os pobres. Além disso, não há muito que possamos fazer sobre as mudanças climáticas”, comenta Joseph E. Stiglitz.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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