Uma paixão abstrata

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Matemática não é para mulheres. Será? Não é verdadeiro esse preconceito, senão seria fácil para os homens, todos.

Não é para mim, sei disso, apesar dos esforços; meus professores conseguiram torná-la “indesejável”.

Vejam o caso de Sofia Vasilyevna Kovalevskaya, nascida em 1850 na Rússia.

Quando criança, seu quarto era revestido com papel de parede. Curiosamente, o papel de parede continha anotações de palestras sobre análise. Aos onze anos, ficou curiosa e começou a olhar meticulosamente aquelas anotações e, aprendeu cálculo sozinha.

Ficou atraída por matemática, apesar dos impedimentos de seu pai. Porém, enquanto os pais dormiam ela lia livros de álgebra.

Para poder ter uma educação superior foi obrigada a casar-se; um casamento infeliz, naturalmente.

Aos 19 anos tentou matricular-se num curso de matemática em Heidelberg. Mulheres não podiam. Convenceu a universidade a deixá-la assistir às aulas extraoficialmente.

Seu talento a levou a Berlim para estudar com um grande professor, Karl Weierstrass. Mulheres não podiam. O professor lhe dava aulas particulares.

Weierstrass ficou impressionado e recomendou-lhe um doutorado. Ela escreveu três artigos, sobre equações diferenciais parciais, funções elípticas e os anéis de Saturno. No mesmo ano a universidade de Göttingen lhe concedeu o doutorado.

Passou a trabalhar sobre a refração da luz. Conseguiu um posto na universidade de Estocolmo. Foi a terceira mulher a conseguir ser professora efetiva numa universidade européia.

Fez pesquisas sobre o movimento de um corpo rígido. Ganhou um prêmio da Academia de Ciências da Rússia (o trabalho foi considerado tão bom que aumentaram o valor do prêmio).

Fez outro trabalho sobre o mesmo tema. Ganhou um prêmio da Academia Sueca de Ciências e foi eleita para a Academia Imperial de Ciências.

“… quanto mais eu reflito sobre a vida dela e considero a magnitude de suas conquistas, considerando o peso dos obstáculos que ela teve que superar, mais eu a admiro. Para mim, ela atingiu um status de heroína que poucas pessoas na história conseguiram alcançar. Se aventurar, como ela fez, no meio acadêmico, um mundo que quase nenhuma mulher havia explorado, consequentemente tendo se tornado um objeto de curiosidade entre os colegas, enquanto uma sociedade preconceituosa a pressionava praticamente esperando por uma falha, ela teve enorme coragem e determinação. Para atingir, como ela conseguiu, pelo menos dois reconhecimentos para a bolsa de estudos, é a evidência de considerável talento, desenvolvido sob uma disciplina rígida” (Roger Cooke)

Sua irmã mais velha, Anne Jaclard, também foi uma personalidade marcante: socialista, feminista e revolucionária russa. Participou da Comuna de Paris e da Primeira Internacional, tornando-se amiga de Marx. Foi noiva de Dostoiévski. 

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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