Alguns caminhos do saber

“Os velhos deuses estão mortos, ou estão morrendo, e em toda parte as pessoas perguntam: qual será a nova mitologia, a mitologia da terra unificada como um ser harmônico?” (Joseph Campbell)

Os “hilozoístas”, pré-socráticos, acreditavam que toda a realidade – não só as espécies vivas – tinham ‘sensibilidade’; toda a matéria seria viva, animada por um princípio ativo.

Os da ‘escola jônica’ (séculos VII e VI a.C.) concordavam sobre a existência de um Princípio Único, embora discordassem sobre qual seria a ‘substância primordial’. Tales achava que era a água; Anaxímenes, apostava no ar. Ambos eram de Mileto, colônia grega na atual Turquia. Esses caras eram fantásticos. Sem falar em Anaximandro!  

“O mundo evoluiu da água por processos naturais”, por exemplo, disse Tales, dando a dica para Darwin.

Tales de Mileto: biografia, filosofia e teorema - Toda Matéria
(Tales de Mileto)

Os taoistas acreditavam que a realidade suprema, que está por trás dos múltiplos fenômenos que vemos, e que os unifica, é intrinsecamente dinâmica. É o Tao, o caminho – ou processo – do universo. Ideias compiladas nos séculos V a.C. principalmente por Lao-Tzu.

“O sentido da vida é estar vivo. É tão claro, tão óbvio e tão simples. Mesmo assim, todo mundo não para de correr em pânico, como se fosse necessário conseguir alguma coisa além de si próprio.” (Alan Watts, taoista)

Segundo os estoicos, a partir de Zenão (século IV a.C.), para se viver uma boa vida, era preciso entender as regras da ordem natural, uma vez que tudo estava enraizado na natureza.

A grande maioria das crenças nativas em todo o mundo assume que o universo está impregnado de vida; já as religiões monoteístas, ao contrário, associam a origem da vida a um criador divino, na leitura de Fritjof Capra.

As ideias atomistas de Demócrito foram expandidas por Epicuro (341 – 270 a.C.), reafirmando que tudo o que ocorre resulta da combinação de átomos, sem nenhum propósito por trás de seus movimentos, nenhum planejamento dos deuses.

Aristóteles (384 – 322 a.C) sistematizou o conhecimento da época, num esquema que fundamentou o saber (científico e teológico) por cerca de 2 mil anos. Os cristãos medievais tentaram conciliar os textos aristotélicos com a teologia, no que se chamou escolástica. Quem desafinasse seria considerado herege: não podia haver conflito entre a fé e a razão, segundo Tomás de Aquino.

Os saberes dos antigos não foram “reelaborados” ou usados como base para novas pesquisas independentes – como fizeram os árabes – mas, para a cristalização do saber, avalizado pela religião.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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