Maquiavelismo

O choque de realidade trazido por Maquiavel foi visto como uma política de dominação, do excesso, e que fazia apologia da impostura, da mentira e da ilusão. Pragmatismo, para propósitos de poder; um retrato de como o Governo é, e não como deveria ser.

(D. João II, o Príncipe Perfeito, 1455-1495)

Entre os defensores do relativismo moral de Maquiavel, encontra-se o jurista português Pedro Barbosa Homem (1624), “que procura esclarecer as situações onde a mentira, o engano e a simulação podem ser empregados no campo das matérias de estado.” (Bruno Maciel Pereira)

Barbosa Homem tenta explicar, a partir de alegadas razões de Estado, como se conferiu a D. João II de Portugal o cognome “Príncipe Perfeito”.

D. João II sucedeu seu pai, o rei Afonso V, e foi um grande defensor da busca de um caminho marítimo para a Índia (embora tenha recusado a ideia de Colombo). Governou sem oposição, após retirar o poder da aristocracia. Para isso, chegou a apunhalar um primo, o Duque de Viseu.

Apoiando-se em Maquiavel, Barbosa Homem admite que “existem dois tipos de mentira que possuem alguma utilidade em matérias de Estado; a oficiosa, e a perniciosa. A primeira não causa dano a ninguém, e é seguida por uma utilidade a quem a diz, ou a outro. O segundo modo ocorre quando se diz uma mentira que resulta em algum dano considerável, alheio ou próprio.”

As duas mentiras são condenáveis, principalmente a perniciosa. Mas, ao contrário da mentira, ele considera lícito o emprego do engano em determinadas situações. Há o engano mal, que é a fraude, e o bom, que em certos casos é a virtuosa astúcia.

Com base nesse quadro referencial e nos relatos históricos sobre D. João II, conclui que o Príncipe Perfeito foi exemplo máximo de conduta moral e espelho para todos os príncipes da cristandade.

Assim como Maquiavel, aponta que há determinadas situações onde o príncipe deve suspender os princípios morais para garantir a finalidade máxima para o príncipe, a conservação do Estado.

O que predomina entre nós? A mentira ‘oficiosa’ ou a ‘perniciosa’; a ‘fraude’ ou a ‘astúcia’?

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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