Boécio

(Boécio dando adeus à sua família, por Jean Victor Schnetz)

“Se o Pai gerou o Filho, ele que foi criado teve um início na sua existência. Daí é evidente que houve um tempo em que o Filho não existia. Segue necessariamente que sua substância veio do nada.” (Ário, diácono de Alexandria, 236-336 d.C., fundador da doutrina ‘arianista’)

A doutrina arianista era uma visão antitrinitária de Cristo; negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus, que os igualasse. Jesus não seria o próprio Deus em si e por si mesmo.

Isso deu muita confusão, no cristianismo “primitivo”.

Roma era dominada pelos godos, desde 473. O rei dos godos, Teodorico, seguia o arianismo, que o Primeiro Concílio de Niceia, em 325, já havia condenado.

Teodorico era iletrado, mas não burro. Conservou a elite romana e deixou seus godos nas funções militares. Boécio, filósofo, teólogo, poeta e nobre romano, foi um desses recrutados pelo rei, como um “ministro do Interior” (‘mestre de ofícios’ era o título).

A tolerância de Teodorico acabou quando se denunciou um ‘complô’ para que Constantinopla dominasse Roma, a partir da união das duas igrejas (católica e bizantina), que Boécio tentou conciliar aparando as divergências sobre a definição da Trindade.

Por intrigas de opositores, Boécio foi também incriminado. Foi preso, torturado e executado, em 524. Durante sua prisão escreveu “A Consolação da Filosofia”.

Mostra o contraste entre a ordem do mundo e a desordem que sua própria liberdade introduz entre os homens:

“Mestre do universo, retém o crescimento dessas torrentes e restabelece a ordem sobre a terra pelo mesmo pacto estável que regula o movimento do imenso céu.”

E, preparando-se para a morte:

“Santas doçuras do Céu, admiráveis Ideias,

Vós preencheis um coração que vos pode receber,

De vossos sagrados atrativos as almas possuídas

Não concebem mais nada que as possa comover.

Prometeis muito e dais ainda mais.

Vossos bens não são inconstantes,

E a feliz morte que espero

Vos serve apenas como doce passagem

Para nos introduzir à partilha

Que nos torna contentes para sempre.”

Sobre os tiranos:

“Esses reis altivos que vês assentados no alto em seus tronos

Brilhantes de púrpura, cercados de severos homens de armas,

Proferindo ameaças com o semblante turvo, gritando no frenesi de seu coração,

Se esses soberbos se virem despojados de seu esplendor vazio

Deixarão aparecer, esses senhores, as correntes que os prendem

E que eles trazem dentro de si …”

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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