Distributismo

O capitalismo se conserva por meio de pequenas concessões e afrouxamentos. A estatização plena dos meios de produção é insustentável. A pequena propriedade é condição básica ao desenvolvimento do homem, ao seu exercício de liberdade. Essas são ideias de Hilaire Belloc, publicadas em 1912, antes da experiência soviética.

“Ao denunciar a tendência monopolista do capitalismo e ao desacreditar o socialismo como alternativa, Belloc propõe um novo caminho: o distributismo, que nada mais é do que uma teoria econômica fundamentada nos princípios da Rerum Novarum, de Leão XIII.” (Rhuan Reis do Nascimento)

A encíclica Rerum Novarum (Das Coisas Novas) foi escrita em 1891 e denunciava as condições dos trabalhadores. Apoiava seus direitos, principalmente na formação de sindicatos. Lança um direito: “salário justo”.

Ao mesmo tempo defendia a propriedade privada e condenava o nascente socialismo.

Afirma que o homem antecede ao Estado em valor, dignidade e importância e o antecede também no tempo, que o fim do Estado é propiciar o bem comum do homem e de prover-lhe os meios para que possa alcançar a felicidade. Não é o homem para o Estado mas o Estado que existe em função do homem.

( http://www.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html )

As ideias são sementes, levadas pelo vento social. Algumas são fertilizadas, outras ficam inertes – aguardando os terreno e clima apropriados.

O que hoje se chama Doutrina Social da Igreja é uma consolidação de posicionamentos diante dos quadros sociais. Caminhando para um resgate do comunitarismo vivido nos Atos dos Apóstolos.

Um pioneiro foi Wilhelm von Ketteler (morto em 1877), que defendeu a separação da Igreja do poder temporal e preocupou-se com os trabalhadores alemães, atuou reivindicando aumento de salários, férias, redução da carga horária de trabalho e na eliminação do trabalho infantil.

Belloc escreveu em 1913: “… o objetivo dos socialistas (a alocação dos meios de produção nas mãos dos políticos para que eles administrem em nome e proveito da comunidade) na prática não vem sendo executado; não estamos nos aproximando da propriedade coletiva dos meios de produção, mas sim, pelo contrário, aproximamos-nos velozmente do estabelecimento do trabalho obrigatório para uma maioria de indivíduos sem liberdade ou propriedade, em benefício de uma minoria de proprietários livres.” Ambos os sistemas caminham para um Estado Servil.

“… se não restaurarmos a instituição da propriedade, não escaparemos de restaurar a instituição da escravidão.”

No capitalismo, temos a grande maioria desabonada, mas, ao mesmo tempo, na condição de cidadãos. Homens livres para agir politicamente, embora impotentes economicamente.

“Tal sociedade não tem como perdurar.”

Há duas tensões permanentes: as teses morais sobre as quais o Estado repousa e as realidades sociais que tentam regular; e, a insegurança que condena a grande maioria de homens livres sem posses.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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