Imortalidade

Há anos que Ray Kurzweil anuncia a “Singularidade”.

Será um ponto no qual o avanço exponencial da tecnologia transformará profundamente a sociedade, redefinindo a noção do que significa ser humano. A singularidade é que máquinas e seres humanos formarão uma ‘aliança’ que poderá nos tornar super-humanos.

Isso está previsto, por ele, para 2045.

Lembro de uma palestra dele, que assisti anos atrás em São Paulo, na qual dizia que, em 2020, computadores seriam tão poderosos que simulariam o cérebro humano. Estou dando um desconto por conta da pandemia.

Ele é um otimista pragmático. A humanidade, por exemplo, se beneficia com o avanço tecnológico: vivemos mais e matamos melhor, porém menos.

Na singularidade o corpo será supérfluo, o que importará será a informação que nos define. Somos matéria arranjada segundo um plano – uma sequência de instruções -, um programa.

A realidade, como a percebemos, pode ser simulada; basta mais informação, mais detalhes, mais velocidade de processamento.

Saí da palestra pensando num backup!

A ciência não aceita a morte.

No final do século XIX e início do XX, ‘descobriu-se’ que os humanos não eram diferentes de outros animais: a morte era inevitável. Até o aniquilamento da espécie era uma possibilidade.

Nessa época surgiu o espiritismo. A imortalidade poderia ser um fato demonstrável. Até Alfred Russel Wallace, que descobrira, juntamente com Darwin, a teoria da seleção natural, converteu-se ao espiritismo. Noutra linha, parte dos bolcheviques, entre eles Górki, acreditava que os seres humanos poderiam algum dia superar a morte. Eram chamados de “construtores de deuses”. Acreditavam que os mortos poderiam vir a ser ressuscitados através da tecnologia.

Um desses, Leonid Krasin, tornou-se responsável pela preservação dos restos mortais de Lenin, na que ficou conhecida como ‘Comissão da Imortalização’.

H. G. Wells dizia que uma minoria inteligente deveria apoderar-se do controle da evolução. Acreditava, assim como Lenin e Górki, que poderiam tirar a humanidade do caos da história.

Mudou de ideia ao conhecer aquela que seria sua esposa. Ela havia sido ‘plantada’ junto dele pela polícia secreta russa. Perdeu as esperanças sobre a ‘minoria inteligente’ – ela não existia – e aceitou que a extinção humana não poderia ser evitada.

Continuarei com esse assunto noutras conversas.

(dss, 11 junho 2020)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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