Extinções em massa

“Séculos e séculos, e só agora as coisas acontecem.” (Jorge Luis Borges)

No instante em que a vida alcançou o conhecimento de si própria, por meio da mente humana, ela condenou suas mais maravilhosas criações, disse Edward Wilson.

Somos feitos para destruir o que esteja ao redor, inclusive os outros humanos. Temos o domínio sobre o que nos gerou. Acreditamos que ‘tudo’ existe para nos servir.

Ingressamos no Antropoceno. Talvez não saiamos dele.

Tendemos a não nos dar conta de informações desconcertantes. Nossa primeira reação a algo ‘estranho’ dentro de uma ‘normalidade’ é tentar encaixá-lo numa estrutura de pensamento a que estejamos acostumados. Os indícios de anormalidade são ignorados pelo maior tempo possível. Até eclodir a crise. E acontece o que psicólogos chamam de “reação ‘Meu Deus!'”. Algo semelhante à experiência da rã na água que esquenta aos poucos (esta, sem a parte final).

As cinco grandes extinções em massa já ocorridas tiveram causas externas ou desconhecidas. A que, provavelmente, está em curso tem um agente já identificado: a espécie humana. Há uma ‘Grande Aceleração’ (J. McNeill e Peter Engelke) em curso e suas consequências são vistas como ‘necessárias’, ‘inevitáveis’ e, ‘suportáveis’. É a primeira etapa do “paradigma da incongruência”, citado acima.

Mas, segundo McNeill e Engelke, “nas últimas décadas a Terra tem sofrido alterações que nunca sofreu em meio bilhão de anos”.

A Terra é um sistema. Otimistas, como Lovelock e Margulis, acreditavam que ela teria como objetivo a manutenção do equilíbrio, através da autopoiesis (autorregulação). Pessimistas, como Peter Ward, que criou a Teoria Medeia, acham que a vida seria inimiga da vida, por um efeito colateral do processo de evolução. Uma terceira via é o conceito de coevolução, de Toby Tyrrell, com a ‘convivência’ tumultuosa do planeta (geosfera), da vida (biosfera), da natureza humana (antroposfera) e do processo civilizador (tecnosfera).

A sexta extinção em massa, pressentida por David Wake e Vance Vredenburg, e divulgada por Elizabeth Kolbert, já vendo dando seus sinais: uma quantidade assustadora de animais está desaparecendo bem diante de nossos olhos. Será o nosso legado. Ou não; se mudarmos nossos parâmetros e nos aliarmos à nossa casa.

Nossa missão aqui precisaria ser ‘sobrevivermos’ (todos nós e as gerações que virão), largando a perspectiva ‘pessoalista’ e exclusivista. Difícil.

Toda jornada requer, basicamente, prontidão, determinação e esperança, anota David Christian. Perder oportunidades, desistir facilmente ou se desesperar levam ao fracasso.

Poderemos ter a extinção encomendada ou, até, gozarmos diferentemente os tais benefícios do ‘progresso’.

A vida é um sistema complexo, que carrega indeterminações, coevolução (cooperação), e emergência. Emergência é o conceito que define os seres não a partir das suas qualidades inerentes, mas a partir das qualidades que emergem das relações entre esses mesmos seres.

Mudemos nossas escolhas ou, apaguemos a luz.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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