De vulgari eloquentia

A realidade é coisa delicada,

de se pegar com as pontas dos dedos.

Um gesto mais brutal, e pronto: o nada.

A qualquer hora pode advir o fim.

O mais terrível de todos os medos.

Mas, felizmente, não é bem assim.

Há uma saída – falar, falar muito.

São as palavras que suportam o mundo,

não os ombros. Sem o “porquê”, o “sim”,

todos os ombros afundavam juntos.

Basta uma boca aberta (ou um rabisco

num papel) para salvar o universo.

Portanto, meus amigos, eu insisto:

falem sem parar. Mesmo sem assunto.

(Paulo Henriques Britto)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

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