Mudanças?

“Durante a campanha eleitoral deste ano, voltou-se muito a falar em esquerda e direita. Para muitos, esquerda é sinônimo de comunismo. Direita, sinônimo de democracia. E, em certos meios católicos, a esquerda é o Anticristo e a direita, a Igreja ou pelo menos a posição político-social em que se encontra a Igreja.”

Isso foi escrito por Alceu Amoroso Lima em outubro de 1960, nas vésperas das eleições presidenciais, cujos candidatos eram Teixeira Lott, Jânio Quadros e Adhemar de Barros.

Ganhou o outsider, o antissistema, o incorruptível, o que ansiava pelo poder total.

Sinto que o tempo parou.

Alceu – que assinava seus textos jornalísticos como Tristão de Ataíde – numa entrevista a Clarice Lispector, em 1968, fala sobre a “evolução da Igreja Católica”.

Perguntado sobre a questão das pílulas anticoncepcionais e a oposição da Igreja (assunto quente à época), responde que “devemos ver o passo enorme que foi dado nesse tema, o problema da fecundidade no casamento. Antes, a fecundidade era considerada como o principal objetivo da união conjugal. Agora, o amor e a fidelidade recíprocos é que passam a ser considerados como a principal finalidade do sacramento.”

Lembrou, também, o avanço ocorrido com Pio XII, que havia proclamado “perfeitamente legítimo, do ponto de vista moral, o parto sem dor, por muito tempo considerado como contrário à lei natural e à lei divina.”

Não vê quem não quer. Ainda falam que o mundo está girando muito rapidamente.

Sua visão sobre os movimentos literários é interessante: “houve três movimentos de renovação. No primeiro passamos do classicismo ao romantismo (entre 1830 e 1840); no segundo, deste ao realismo e ao simbolismo (1880 a 1890). Depois houve a revolução literária da década de 1920 – o modernismo. A próxima será a revolução “audiovisualista”, com a passagem da literatura escrita à oral e visual.

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Um comentário em “Mudanças?

  1. Apenas os lúcidos não são ouvidos.
    60 anos após, os mesmos cenários com movimentos tão parecidos.
    Precisamos reinventar os humanos.

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