E o emprego?

Dani Rodrik e Stefanie Stantcheva comentam o cenário atual do emprego e sua relevância nessa nova realidade que se impõe aceleradamente.

Eles referem-se, ainda, a “bons empregos” com viés nostálgico:

“… a falta de “bons empregos” acarreta altos custos sociais e políticos: famílias desfeitas, abuso de substâncias ilícitas e crimes, além de uma confiança cada vez menor no governo, em especialistas e instituições, polarização partidária e populismo nacionalista. 

A suposição implícita por trás de grande parte de nosso pensamento atual é que “bons empregos” da classe média estarão disponíveis para todos que possuam habilidades adequadas. Nessa perspectiva, a estratégia apropriada para promover a inclusão é aquela que combina gastos com educação e treinamento, um sistema progressivo de impostos e transferências e seguro social contra riscos idiossincráticos, como desemprego, doenças e invalidez.”

Mas, ressaltam:

“Tendências seculares em tecnologia e globalização estão ofuscando a distribuição de empregos. O resultado são mais empregos ruins que não oferecem estabilidade, nem remuneração suficiente ou progressão na carreira, bem como mercados de trabalho permanentemente deprimidos fora dos principais centros metropolitanos.”

Aquele emprego – para o qual a minha e gerações anteriores se preparavam e almejavam – estável, bem remunerado, que garantia um padrão de vida razoável e oportunidades de progresso na carreira, está se tornando exceção e, creio, tende a sumir.

Nossas escolas e posicionamentos precisam ser reformulados para ‘novos’ paradigmas: ‘tasks’, não mais ‘career’; ocupação ao invés de profissão; coordenação, não comando; projetos substituindo rotinas; convencimento e confiança versus controles; cooperação; maior integração, com menos silos; visão generalista, construtiva e criativa; transparência e respeito a todos os stakeholders; capacidade de aprendizagem acima de experiência prévia; etc.

Do ponto de vista de políticas públicas, uma nova estratégia precisa abrir mão da tradicional divisão entre políticas pró-crescimento e políticas sociais.

(Texto original citado: https://www.project-syndicate.org/commentary/new-social-contract-must-target-good-job-creation-by-dani-rodrik-and-stefanie-stantcheva-2020-06/portuguese)



Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

Um comentário em “E o emprego?

  1. Aprender a aprender, nunca foi tão verdadeiro, jamais tão definitivo.
    Como nos alertou Sócrates, há séculos, “Só sei que nada sei”.

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