Ariadne

“Essas coisas não aconteceram nunca, mas existiram sempre.” (Salústio)

Fedra e Ariadne eram irmãs, e se enforcaram de vergonha e desespero. A mãe, Pasifae, igualmente suicidou-se por vergonha.

As irmãs eram filhas de Minos, rei de Creta.

A estória é conhecida, o final tem opções.

Minos pediu e recebeu um touro branco, magnífico, de Poseidon. Deveria ser sacrificado, mas Minos o preservou.

Aconteceu que Pasifae se apaixonou pelo touro (dizem que Afrodite estava por trás dessa história) e pediu a Dédalo (esse merece outro artigo) que viabilizasse sua união com o touro. Ele construiu uma novilha de madeira, um grande brinquedo de rodas, no qual Pasifae se colocou, o que a permitiu satisfazer seu desejo. Nasceu o Minotauro, um híbrido.

Para esconder o bastardo, o rei pediu que Dédalo construísse um labirinto que guardasse o mistério e a vergonha – até hoje, mistério é geralmente aquilo de que se tem vergonha.

Minos entrou em guerra com Atenas e venceu. Atenas ficou tributária de Creta: a cada nove anos, sete rapazes e sete moças atenienses eram enviados para serem devorados pelo seu ‘filho’ monstruoso, o Minotauro.

Teseu, um herói grego, meteu-se numa dessas remessas, disposto a matar o Minotauro. Contou com a ajuda de Ariadne, que ficou abestalhada quando o viu. Providenciou uma espada e o fio para que conseguisse sair do labirinto (o fio ainda carrega seu nome).

Com a morte do Minotauro, Pasifae fica prisioneira, mergulhada em vergonha, e morre.

Ariadne, como disse, ficou perdidinha por Teseu, mas Dionísio (o deus) já a cortejava. Ela preferiu Teseu ao deus.

Teseu não era de se comprometer. Tinha o hábito de raptar donzelas: ao sul, a cretense Ariadne; ao norte, a amazonas Antíope. Já com cinquenta anos, ele e o amigo de farra, Piritoo (“aquele que vagueia em círculos”), resolveram raptar Helena, uma menina de dez anos de Esparta. Finalmente – e se deram mal – tentaram raptar a rainha do Hades, Perséfone. Uma força irresistível os prendeu a uns assentos. Depois, Hércules foi salvar Teseu e o arrancou à força do seu assento (fragmentos de carne ficaram colados lá). Piritoo ficou, esquecido.

Conta-se que, até hoje, os rapazes de Atenas têm nádegas pequenas e magras devido a esse evento.

Bom, voltando: Teseu fugiu de Creta com Ariadne e a largou numa ilha deserta, inóspita, Naxos. Sabe-se lá por quê. Impiedade, insolência, machismo, eterna imaturidade masculina? Não importa. Para Ariadne, não era mais a casa onde nasceu, nem a casa em que esperava ser acolhida; logo ela, que estava disposta a lavar os pés de Teseu, em Atenas, como escrava.

Ariadne é o símbolo do amor abandonado. Trágico ou ingênuo?

(dss, 14 junho 2020)

Publicado por Dorgival Soares

Administrador de empresas, especializado em reestruturação e recuperação de negócios. Minha formação é centrada em finanças, mas atuo com foco nas pessoas.

2 comentários em “Ariadne

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: